Desde que o uso de smartphones e a abertura de múltiplas abas no computador se tornaram rotina, muitos de nós nos vemos em uma luta constante contra a distração. É como se nossa habilidade de nos concentrar profundamente estivesse sendo sugada, algo fundamental para aqueles cuja profissão exige foco constante, como a escrita.
O livro Indistraível, de Nir Eyal, aborda exatamente isso: as raízes das nossas distrações e como podemos combatê-las de maneira prática. E sabe o que é mais interessante? As distrações não começaram com a era dos smartphones e redes sociais, mesmo que essas tecnologias tenham potencializado nossa falta de foco.
Atraídos pelas tecnologias
As melhores empresas de tecnologia sabem que, para lucrar, precisam nos manter voltando para seus serviços. Redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok são gratuitas, mas isso não é uma generosidade desinteressada. Essas plataformas usam nosso tempo e atenção para vender espaços publicitários. O que acaba acontecendo é que, enquanto estamos rolando nossos feeds, estamos, na verdade, sendo comercializados.
Essas empresas estudam psicologia comportamental para nos manter grudados em suas plataformas, e isso tem um custo para nós. Perdemos tempo de qualidade com a família, nossa produtividade despenca e os riscos de desenvolver ansiedade e depressão aumentam.
Usando a tecnologia a nosso favor
Não sou contra as redes sociais. Acredito que, com consciência, podemos usá-las a nosso favor. A chave é administrar as distrações para que não nos façam perder o foco e, consequentemente, nosso tempo.
Dica: o antídoto para a impulsividade é o planejamento. Segundo Nil, “para viver a vida que queremos, precisamos não só fazer as coisas certas, mas também parar de fazer as coisas erradas que nos desviam do caminho”. Passar horas nas redes sociais, por exemplo, não nos leva a lugar algum.
Administrando a dor
Administrar o tempo é, no fundo, administrar a dor. Nossa mente busca prazer e evita a dor, mas a longo prazo, essa não é uma boa estratégia. As coisas que realmente trazem significado e constroem nossa vida exigem esforço e desconforto. Usar as redes sociais como escape das obrigações diárias é uma armadilha. Escrever e ler demandam muito mais esforço do que rolar o feed do Instagram, mas é essa dedicação que nos traz conhecimento profundo e confiança.
Enfrentando a realidade
A distração é sempre uma fuga da realidade. Aceitar isso é o primeiro passo para enfrentar nossos desafios e fazer coisas significativas.
Um argumento que ele aborda no livro é que a força de vontade não é finita. Se você estiver inspirado para fazer algo, vá e faça! “Gastei minha cota de força de vontade por hoje”. Isso não existe. Acredite em si e comece a agir. A mudança começa pela ação.
Práticas para reduzir distrações
Nir Eyal oferece conselhos para se livrar das distrações externas. Por exemplo, organizar os aplicativos do celular em três categorias: ferramentas básicas, aspirações e caça-níqueis.
Ferramentas básicas: aplicativos usados para tarefas frequentes, como Uber, mapas e agenda.
Aspirações: aplicativos para atividades que você quer fazer, como meditar, ler ou ouvir podcasts.
Caça-níqueis: aplicativos que nos sugam para um buraco negro de distração, como e-mail, redes sociais e jogos.
Organize sua tela inicial para mostrar apenas as ferramentas básicas e aspirações. Se um aplicativo for uma distração, coloque-o em outra tela.
Ferramentas para o foco
Algumas extensões e aplicativos podem ajudar a manter o foco:
News Feed Eradicator: elimina o feed de notícias do Facebook, substituindo-o por citações inspiradoras.
Todobook: substitui o feed do Facebook pela lista de tarefas do dia.
DF Tube: remove sugestões e anúncios do YouTube para que você possa assistir vídeos em paz.
Seja indistraível
O uso excessivo das tecnologias é, no fundo, um sintoma de vazio em outras áreas da vida. Precisamos satisfazer nossas necessidades no mundo offline para não buscarmos preenchê-las no mundo online. Use a tecnologia a seu favor, mas não se esqueça de viver de forma concreta, real e significativa. A arte de ser sábio é a arte de saber o que ignorar.


